MÁRIO CLÁUDIO

Nome completo

Rui Manuel Pinto Barbot Costa

Nascimento

o6 de novembro de 1941

Porto, Portugal

Profissão

Escritor

No âmbito das comemorações dos 150 anos do nascimento de Raul Brandão, Mário Cláudio esteve à conversa com Sérgio Almeida, na Biblioteca Municipal Raul Brandão, no dia 19, e o Mais Guimarães acompanhou mais uma edição Húmus – Festival Literário de Guimarães.

Publicou com o nome próprio, uma vez que “Mário Cláudio” é pseudónimo, um Estudo do Analfabetismo em Portugal, obra que reúne a sua tese de mestrado e uma comunicação apresentada no 6.° Encontro de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas Portugueses, em 1978.

Proveniente de uma família burguesa, como atesta o seu apelido de origem francesa Barbot. O escritor viveu a sua infância na zona da Boavista, no Porto. Experiência que acumulou até aos dias de hoje e que lhe garante um dos grandes benefícios da idade: a perda da vergonha. “Isso é positivo. A opinião dos outros é cada vez mais indiferente. Claro que respeitamos as opiniões dos outros. Isso manifesta-se na reação das críticas. Uma má crítica quando se tem 30 ou 40 anos pesa mais do que quando se tem 60 ou 70. Vemos que as coisas são muito relativas. O que hoje é bom, amanhã pode ser mentira. Creio que um ficcionista é alguém que tem de ter um contacto com o mundo”, lembrou.

Ficcionista, poeta, dramaturgo e ensaísta, o seu trabalho tem recebido várias distinções, entre elas, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, o prémio de ficção do P.E.N. Clube e os prémios Eça de Queirós, Vergílio Ferreira e Fernando Namora. A 09 de Junho de 2000 foi eleito Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Quando questionado sobre a liberdade do escritor, Mário Cláudio foi perentório: “nunca se é totalmente livre. À medida que os anos vão passando vai se adquirindo uma espécie de ‘grande angular’ e há determinadas situações que se repetem e temos de estar atentos”. Por isso, defende que se deve “acumular experiências, não como cobaias, mas através de encontros. Por isso, não se encontram tantos ficcionistas jovens”.

Mário Cláudio assume que “escrever é muito difícil, cansativo, esforçado e absorvente. Cada vez mais tem-se a noção que escrever é muito difícil e quem não tiver essa noção vai ter muita dificuldade em escrever. Escrever o livro grande é como uma empresa, deita-se e acorda-se com o livro na cabeça”.

O autor evita ler escritores que escrevam sobre a mesma área que está a escrever procurando “afastar-se um pouco para que não haja qualquer tipo de comunicação”. Mário Cláudio mostrou-se ainda despreocupado com situações ortográficas e mais preocupado com o rigor da mensagem. “O importante é que o pensamento seja formulado com rigor. A língua pode ser manuseada, mas tem o valor sonoro que não se pode perder”, referiu.

O escritor tem recebido a atenção dos académicos, mas avisa que “a leitura académica pode ser desmotivante para o leitor, porque usa uma linguagem feita e, às vezes, incompreensiva”.

Como referências ou “tribo”, como ele chama, o escritor identifica-se com Padre António Vieira, Camilo, Aquilino Ribeiro e Agustina Bessa Leite em cuja tradição se sinte inserido.

Em 2014, venceu o Grande Prémio de Romance APE/DGLAB pela obra “Retrato de Rapaz”. Foi a segunda vez que Mário Cláudio recebeu este prémio (Amadeo foi vencedor em 1984), uma das principais distinções atribuídas a uma obra e raramente entregue duas vezes ao mesmo autor.

Por: Diogo Oliveira

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