STROMP

Nome completo
Paulo Alexandre Pereira de Abreu

Nascimento
16 de janeiro de 1973, Guimarães

Profissão
Cabeleireiro/Rider de Enduro e DH

Cresceu a rondar a barbearia que do pai. O ofício vem do avô, passou para o pai e para os tios e quando teve que decidir o que fazer para ganhar a vida seguiu-lhes os passos, com naturalidade. Ser uma referência no Downhill e no Enduro em Portugal não chega para por pão na mesa. Meteu pernas ao caminho, foi tirar um curso no Porto e depois, ainda outro, para ganhar experiência na área. Apesar da família estar no ramo, confessa que a adolescência foi gasta na “boa vida.”
A cultura do estudo não existia na família, ao pequeno Paulo até lhe reconheciam capacidade, mas tinha pouco interesse e a cabeça andava sempre a rodar nas nuvens. O corpo ia para dentro da sala de aulas, mas a cabeça ficava cá fora nas loucuras e aventuras. Como é normal nos bons desportistas, não empurra a culpa de não ter estudado para fatores externos: “o problema era meu, até porque tenho um irmão formado.”
“A bola foi a minha confidente,” até ao dia em que uma bicicleta entrou na sua vida. Uma bicicleta, em meados da década de setenta, ainda era um luxo. A primeira a que deitou a mão não era sua. O pai foi massagista e roupeiro de várias equipas de ciclismo, entre as quais, a famosa Coelima, com a qual fez três voltas a Portugal e duas a Espanha. No fim dos treinos os ciclistas passavam pela casa da família e acabou por ser numa dessas bicicletas de estrada que deu as primeiras pedaladas. Umas rodas enormes, um quadro de adulto, com seis ou sete anos, os pés nem chegavam ao chão. Quando parava, se não corresse bem, era queda certa. Mas a paixão já lá estava, por isso, valia a pena.
Uns tios, emigrados na Alemanha, ofereceram-lhe a primeira bicicleta. Era uma bicicleta de passeio, cheia de adereços e guarda-lamas, “tratei logo de eliminar as peças que não se adaptavam ao uso radical que dava à máquina.” Era uma bicicleta com travão atrás de contra-pedal, “depois de me habituar era o rei dos piões,” recorda a rir.
Casado, não tem dúvida em afirmar que os melhores momentos da sua vida foram os nascimentos dos filhos. Um deles já o segue montanha a baixo na bicicleta. Apesar do prazer que lhe dá ver o filho seguir os seus passos desportivos, deixa claro que não alivia a pressão sobre eles para estudarem. “Chegamos tarde à maturidade, não quero que cometam os mesmos erros que eu cometi.” O ciclismo, em qualquer das suas vertentes, não é futuro num “país a arder,” como Portugal.

Chegou ao Downhill em 1999, depois de ter entrado na primeira prova, “o bichinho ficou,” e nunca mais parou. É modesto, no currículo quer que fique, não as taças ou aquilo que o desporto lhe deu, mas aquilo que deu ao desporto, nomeadamente, as amizades que foi fazendo nas equipas que representou. Apesar dos anos que leva na modalidade e treinar regularmente na Penha, nunca representou uma equipa da cidade. Quem o conhece sabe que o Stromp é mais que um rider, é uma instituição à volta de quem os praticantes mais novos se reúnem.
Os riders que segue e que admira, a nível internacional, são aqueles que se preocupam menos com as vitórias e mais com a diversão, como ele. Lamenta a falta de cultura desportiva que faz com que só o futebol tenha espaço no nosso país. É com esse espírito de diversão que ajudado muitos a aventurarem-se pela primeira vez numa bicicleta de downhill ou de enduro. Nessas altura, mais do que um atleta é um treinador preocupado com a segurança e sempre disponível para no momento certo dar as indicações que ajudam os mais jovens a melhorar.
Para já, está focado na Taça de Portugal de Enduro, que se realiza nos Açores, em setembro. A médio prazo, alimenta o sonho de ir a Wistler, no Canadá, a meca de quem gosta de pedalar montanha abaixo.

Por: Rui Dias

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