TÂNIA SALGADO

Nome completo
Tânia Filipa Miranda Salgado

Naturalidade
Santa Maria de Airão

Data de nascimento
17/04/1981

Profissão
Presidente da ADDHG

O montanhismo e o trail — para além dos dois filhos e da família — são duas das paixões de Tânia Salgado. “Sempre que posso, vou para a montanha fazer montanhismo”, diz. O hobby é transponível, se quisermos recorrer às metáforas, à missão pela qual diz ter nascido: a defesa e a luta pelos direitos humanos. Na vida da presidente e fundadora da Associação da Defesa dos Direitos Humanos de Guimarães (ADDHG), escalar para alterar mentalidades e fazer valer essa defesa é norma: “Sempre trabalhei com o ser humano. Do trabalho ligado à comunidade aos escuteiros, sempre fui muito ligada ao ser humano e esta associação nasce do défice que fui sentindo no apoio à violência doméstica.”

Apesar de incidir sobre “os direitos humanos no seu amplo conceito”, a ADDHG foca-se na violência de género, nos direitos fundamentais das mulheres e em trabalhos de sensibilização para estes assuntos.
A palavra da associação, diz, espalha-se “através da educação, que pode alterar mentalidades”. Mas não só: a sede da ADDHG situa-se em Santa Maria de Airão de modo a dar resposta “às áreas mais limítrofes e afastadas do centro da cidade”. É que, a essas áreas, “a informação não chega muitas vezes, as pessoas não têm conhecimento dos serviços que existem e não sabem a quem se devem dirigir”.

Uma luta por todos

A partir das freguesias mais afastadas do centro e nas escolas, Tânia Salgado quer contribuir para o desenvolvimento sustentável do território — “tudo assente numa estrutura de igualdade, um trabalho que deve ser feito em rede”. “Há um longo caminho a percorrer para percorrer as assimetrias de género. É urgente eliminar os estereótipos de género, mas os homens já estão a alterar a sua postura”, diz.

A certa altura da conversa com o Mais Guimarães, Tânia cita Simone de Beauvoir, uma das maiores teóricas do feminismo moderno, mas também escritora, ativista, professora e escritora: “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher.” Nessa linha, refere ser importante “abrir mentalidades” e esse caminho, o do progresso, pode ser realizado através do feminismo. Porque os rótulos já não colam e Tânia sabe-o: “Vivemos ainda numa sociedade em que há muitas rotulações, um caminho predefinido. Fui mãe aos 19 anos e costumo dizer que, na altura, estava uma menina ao colo de outra menina. Sei o que é sofrer um pouco pelo facto de ser mulher e mãe muito jovem e senti o preconceito na pele. Por isso, sou feminista e luto pelo empoderamento das mulheres e pela igualdade de oportunidades” conta.

O facto de ter sido mãe aos 19 anos impediu-a de concluir os estudos na altura, mas Tânia foi “retornando aos poucos” e encontra-se a terminar a sua formação académica da área da Educação. Hoje, trabalha também como assistente operacional.

Mas a luta feminista é intersecional e eliminar rótulos também se aplica à comunidade LGBT, uma das outras áreas em que a presidente da ADDHG pretende especializar-se. “Ainda acho que é um assunto tabu. Em Guimarães não conheço trabalho feito nesse sentido e quero dar resposta. Temos de estar preparados para intervir”, afirma.

Perante os “grandes níveis de estigma” e o assédio constante a que as pessoas que se identificam como lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros, transexuais, queer, intersexuais ou pansexuais — sendo que a comunidade abarca uma infinidade de orientações do espetro sexual — Tânia diz que é “urgente” acabar com qualquer tipo de preconceito.

Lutar pela igualdade plena entre seres humanos — independentemente de qualquer que sejam as caraterísticas de cada um — é um “caminho longo” e “ainda há muito por fazer”. Ou, se quisermos, ainda há muito por escalar. E Tânia está disposta a fazê-lo

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