AS CANTINAS ESCOLARES E ALGUMAS CONDICIONANTES DA DEGRADAÇÃO ALIMENTAR EM PORTUGAL

por Mário Moreira

(1ª Parte)

Uma das circulares, do MInistério da Educação, diz o seguinte; “O refeitório escolar, constitui um espaço privilegiado de educação para a saúde, promoção de estilos de vida saudáveis e de equidade social, uma vez que fornece refeições nutricionalmente equilibradas saudáveis e seguras a todos os alunos, independentemente, do estatuto sócio económico das suas famílias”. “Tem uma função pedagógica de refeitório, considerando o papel fulcral dos hábitos alimentares na saúde humana e considerando muito importantes definições de estratégias de acompanhamento dos alunos em períodos de refeição”.

Perante este cenário, vou colocar números onde considero que há uma condicionante de degradação das condições.

A concessão (1) do estado das cantinas escolares, a empresas privadas; Itau, Gertal, Eurest, Uniself… obriga a um concurso, cujo “vencedor” assume o compromisso em cumprir um “Caderno de Encargos/CE”entre o Ministério da Educação e as Câmaras Municipais, ao 1º ciclo. O vencedor é sempre quem apresenta o mais baixo preço(2) e não o que apresenta melhores condições. No CE e de acordo com ambas as partes, se define de forma clara, um conjunto de normas, pelas quais têm de ser escrupulosamente cumpridas, desde os produtos a disponibilizar, limitar ou não, aos recursos humanos com funções especificamente atribuídas. O número de trabalhadores admitidos é em conformidade com o número de refeições dos alunos.

 

Alguns exemplos;

  1. A) Carne. Consta na lista do “CE” que a carne de 1ª categoria, peças da; Vazia, Pojadouro, Alcatra, Pá, Chã, até às vezes que têm de dar Bife, mas, não(3) consta nas ementas elaboradas pelas empresas. As carnes, identificadas, não são (4) disponibilizadas para um prato grelhado.
  2. B) O Peixe, a Pescada nº 3 a 5, a Corvina, o Cherne, o Bacalhau, constam da lista de alimentos autorizados no “CE”, mas tudo é uma miragem (5), aliás, o Bacalhau, é identificado para refeição duas vezes por mês, mas o que as crianças comem é “Paloco” (6) em sua substituição.
  3. C) O calibre das frutas é igual para crianças do 1º ciclo ao dos alunos do secundário, (7) contrariando o disposto no “CE”.
  4. D) As ementas são alteradas, vezes incontáveis…(8)
  5. E) A empresa concessionária, muitas vezes, não responde aos pedidos de mercadorias (9) em função dos números de refeições e é hábito, recorrer a produtos (10), guardados na congelação, desvirtuando a ementa do dia, mas, mais grave, é a má aplicação das “boas prática das normas”(11) do HACCP.
  6. F) Na receção dos alimentos,deveria ser duas vezes por semana e em muitos casos é uma única vez(12) e não há como aferir (13) as condições dos alimentos.
  7. G) Em muitas das escolas, as trabalhadoras não têm termómetros para aferir as condições organoléticas corretas de confeção(14) e, esta, é uma das razões, pelas quais, se verifica em Portugal, um grande número de intoxicações alimentares.

H)Não há dispositivos para aferir o estado de saturação das gorduras,(15) designadamente, dos fritos.

  1. I) Vamos aos recursos humanos e às condições laborais. Uma escola com cerca de 700 refeições (só temos uma em Guimarães) tem de ter 7 trabalhadores a tempo inteiro e 2 a tempo parcial de 4 horas, o que não se verifica(16). Uma escola entre 120 e 200 refeições, tem de ter 3 trabalhadores a tempo inteiro e 1 parcial, o que não se verifica (17). Em regra, têm 2 a tempo inteiro e 1 a tempo parcial. Uma escola entre 100 e 130 refeições, tem de ter 2 trabalhadores a tempo inteiro e 1 parcial, o que não se verifica, (18). Em regra há 1 a tempo inteiro e um a tempo parcial.

 

(Parte 2 no próximo número)

 

 

Um abraço gastronómico!

 

Fotos: DR

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