Liberdade

A coelima, os charlatões, ervilhas de quebrar

por Mário Moreira

A liberdade é, objetivamente, um dos mais bem conseguidos conceitos de capitalismo consciente, subtil, cruel. Liberdade é um conceito prioritário a atingir pelos cidadãos portugueses, pela humanidade.

Aparentemente, esta liberdade, apoiada pelas muletas do regime, leva cidadãos na cegueira política aos maiores seguidismos em nome de uma fantasia, jamais alcançada numa sociedade que discrimina e contrária aos interesses dos cada vez mais pobres, a caminho da demência coletiva.

São absurdas ou ingénuas as afirmações por mais hábeis que sejam construídas.

Que liberdade é que terá um casal de jovens licenciados, precários ou desempregados, com ou sem filhos, de futuro mal desenhado, na admiração de uma dessas montras de “marca” se absolutamente nada pode comprar?

Que liberdade terá um reformado pobre, com promessas em migalhas de cêntimos, deixa de comprar medicamentos que lhe atrasam a morte?

Que liberdade terão trabalhadores indefesos diante de charlatões fariseus hipócritas, que se pavoneiam na vitimização à comunicação social como seus defensores?

Que liberdade terão os “velhos” nas suas opções e necessidades, em que cada um teme pela sua própria vida, com defeitos graves de nutrição alimentar, onde lhes é negada a preocupação do que querem ou desejam usufruir os prazeres da vida?          

Que liberdade terão milhões de pobres em Portugal na desesperada angústia pela procura da caridadezinha?

Que liberdade terão centenas de milhares de cidadãos trabalhadores, na condição de ”ilegais”, que não têm forma de provar tamanha impunidade, a quem os deveria cuidar?

Esta liberdade é uma bandeira com pouco significado na propaganda do regime. Colhe apoios de acólitos políticos e partidários, mas intensifica indiretamente, o galope da extrema direita.

As ervilhas têm uma beleza estética singular. São um mimo de época, com cheiro e sabor a primavera. Podem ser comidas de qualquer jeito; cruas ou em saladas, salteadas ou grelhadas crocantes, num arroz caldoso de comer à colher, além de terem na sua cor estival, o verde da natureza, da esperança, contra as palavras ocas de circunstância, digitalizadas e descoloridas, na habilidade de uma realidade ficcionada.

“Ervilhas de quebrar com ovos escalfados”

Levar ao lume uma frigideira com 4 colheres de azeite, 1 cebola picadinha, 2 dentes de alho esmagados, deixar alourar. Adicionar 1kg de ervilhas, 1 colher de sopa de salsa e coentros, 2 colheres de sopa de manteiga. Temperar de sal e pimenta qb. Deixar ferver, retirar do lume. Verter este preparado num tabuleiro de serviço, que possa ir ao forno. Abrir ligeiramente 4 cavidades, juntar separadamente 4 ovos. Levar ao forno a 180º até escalfarem.

Bom apetite!

Um abraço gastronómico.

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