AS NOVAS CORES DO OUTONO

por Mário Moreira

Se nós somos o resultado do que comemos, em tempo de colheitas, quem semeia ventos colhe tempestades

A natureza mudou de visual. A natureza saíu à rua em tons que não conseguimos ainda escrutinar, as razões, definitivamente!

Vestiu-se em tons de rosa, amarelo, de um castanho avermelhado, de um azul esbranquiçado, com buracos, muito frágil. Temo que as cores quentes exaltantes da época se alterem num cenário sombrio, de frieza, com gente sem vida e sensibilidade, dando lugar a quadros vazios em paredes de vidro.

Todo este cenário convida a uma profunda reflexão. As folhas secas de outono que o chão protege são movidas e apagadas do tempo, tempo que não perdoa a quem tempo teve de as cuidar e proteger.

“Para colher há que semear”. Este ditado encerra sabedoria e uma indiscutível verdade. Antes da vindima, como em tantos outros casos, houve que plantar e cuidar, também antes de se oferecer uma refeição cheia de emoções, bem saborosa, há que saber cozinhar e saber transmitir valores humanistas, afinal, cozinhar é um ato de dedicação e amor aos outros.

A festa das colheitas é um genuino hino à vida e à natureza,  a celebração de uma época maravilhosa e cheia de significado, uma época que se repete, num alegre eterno retorno, cantada por escritores e poetas, retratada por pintores e escultores, apreciada por todos quantos amam e sentem gratidão à vida.

Numa menção à “fábula da Cigarra e da Formiga”, os festejos das colheitas das novas cores de Outono, contrastam com a frieza, as palavras inócuas, já gastas e sem efeito, as palavras administrativas, que esclarecem bem uma crise interna de valores…A todo o custo se persiste desmembrar uma àrvore com história de patrimóinio inapagável, numa ostensiva hostilidade e incompetência, provocando mortíferas reações ás leis da vida e da natrureza.

Comer e beber mantém a alma e o corpo unidos, convém, sempre, manter a amizade como os vinhos, desconfiando das misturas.

Guisado de Polvo em vinho tinho

Lavar e limpar o polvo. Cozer em pouca água, juntar uma cebola e quando esta estiver cozida, o polvo está pronto. Num tacho com azeite, refogar a cebola picada, alhos esmagados, folha de louro. Refrescar com 2 cálices de vinho do porto tinto. Cortar o polvo em rodelas e adicionar. Deixar ferver e juntar ½ garrafa de vinho maduro tinto e uma embalagem de 30dl de polpa de tomate. Deixar ferver e adicionar batatas pequenas ou cortadas em quartos.  Deixar ferver. Adicionar raminhos de salsa e tomilho, frescos. Temperar de sal a gosto. Tapar o tacho e deixar ferver em lume brando. Quando o guisado estiver macio, está pronto.

Bom apetite.

Um abraço gastronómico.

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