CONTO – CAÇA AO JAVALI

por Mário Moreira

O bosque fervilha de vida – galinholas, rouxinóis, pintassilgos, esquilos, arganazes, javalis, elfos…A par dos animais, existem arbustos, cujos frutos, brilham na vegetação de cores luxuriantes...

Esta noite choveu . As previsões dão chuva para todo o dia. Pego na velha parca, no boné, botas de montanha, espingarda de cartuchos sequiosos, subo em direção ao bosque na companhia imperdível de minha neta, a Ainoa, o meu cão, o Ortos de duas cabeças.

Corre uma nortada fria cortante. Vejo cair as últimas folhas dos muros pintados de musgo.

O Ortos caminha a sua habitual classe, orelhas afiladas numa combinação parabólica, quanto temerária…À sua passagem, numa passividade arrepiante e medonha,  tudo se verga, ao Ortos.

A mata tem um misto de carvalhos, azinhos e sobreiros, é densa e temerosa, a Ainoa, numa contagiante alegria, os seus gritos entoam pela floresta e fazem eco. Lentamente, cortando ramos e tojos, chegamos ao local onde param as rainhas do bosque; as galinholas.

Em bicos de pés, espingarda segura, olhos abertos e ouvidos em guarda … Um elfo por natureza simpático, mas medonho, gigante, orelhas enormes pontiagudas, pés saltitantes, olhos mais pareciam cogumelos luminosos, mandou-nos fazer, portagem… O Ortos meteu o rabo entre pernas, a Ainoa, extasiada de susto, eu, com pele se galinha, recuámos.

Chegados ao sub-bosque não tão temeroso, visibilidade horizontal, descobrimos um local de pinheiros mansos e sentimos a agitação das galinholas por cima de nós.

O prazer de ver tão perto tamanha beleza a levantar voo, condicionou-me sacar atempadamente a espingarda. Perdi o meu momento de glória. A agitação, deveu-se a  “intruso”, javali de respeito que em estado de ebulição pela luz incandescente do elfo, chafurdava ali à nossa frente. Estava criado um cenário de guerra.  Nós, os verdadeiros intrusos tivemos de dar “corda aos sapatos”, sem sucesso…  Num golpe de sobrevivência um balázio certeiro deitou por terra as “aspiações” do javali. Tivemos de pedir socorro para o transportar.

Costeletas de Javali compota de maça e gengibre com redução vinho do Porto

Temperar as costeletas de sal e pimenta, marcar e reservar. Num tacho adicionar 200gr de manteiga, 1 kg maças em cubinhos, sumo 1 limão, colher sobremesa de gengibre fresco, pau de canela, 200gr açúcar, pitada de sal, até caramelizar. Numa frigideira, 2 chalotas picadas, folhinhas de tomilho, 2 dl de porto, ferver, reduzir para metade. Adicionar sumo de 1 laranja,  ½ limão, 200gr demiglace. Ferver 10 minutos. Retificar, sal e pimenta e coar. Ligar 150gr de manteiga até ficar ligeiramente grosso. Decorar com tomilho.

Bom apetite.

Um abraço gastronómico.

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