“E até os famintos esperam os dias em que a sardinha é tanta que se dá, a quem a leva, fazendo-se quinhão dos pobres”

por Mário Moreira

“E até os famintos esperam os dias em que a sardinha é tanta que se dá, a quem a leva, fazendo-se quinhão dos pobres”

Os Pescadores – Raul Brandão

“É o momento em que as mulheres saem das tocas; as Bexigas, a Papeira, a Maria da Viela, que passam a vida pelas estradas com a canastra à cabeça e o pé descalço, as matosinheiras, as da Afurada, quase sempre de luto, porque o mar lhes leva os homens e os filhos. Conheço-as todas de pequeno

Não há terriola se seis cavadores submersa pelos montes, onde a sardinha não chegue, viva da costa.

Ouve-se o chapinhar das redes que se levam e o grasnido das gaivotas assustadas. As mulheres gritam. Sobem os lanços. Duas engalfinham-se. Os almocreves caminham à frentes dos burros inalteráveis. As vareiras carregam à pressa as últimas canastras.

O batel, três homemns e outras tantas redes. São às centenas, é uma frota que distingo pelas velas para lá do areal, e que, no azul desmaiado e na névoa a dissolver-se parecem suspensos no ar.

Todas as tardes entram na barra uns atrás dos outros, em fila, para despejarem nas linguetas viscosas o peixe miúdo que salta aos montões nas cavernames.  É nesta epoca que reaparecem os bandos de homens magros tisnados, as mulheres descalças com a saia pela cabeça, para disputarem a quem mais dá os lotes de sardinha dispersos pelo areal.

Os grupos discutem na lingueta, as mulheres apregoam, e chegam mais batéis que despejam as pedras os montes viscosos de prata – Quem dá mais? Quem dá mais?

Carregam-na os almocreves nos burros canastreiros e os do Douro nos barcos rabelos de grande vela latina, com os arrais de pé sobre a gaiola de pinho descascada, os vareiros às costas, com a vara atravessada no ombro e um cesto em cada ponta, os resgatões que a acamam em gigos ou a salgam no fundo das barracas, as sanjoaneiras e as vareiras que de perna à mostra e a canastra à cabeça correm pela estrada ribeirinha, a caminho do Porto”.

Há quem diga que o tamanho pouco importa. O tamanho da sardinha quanto maior for, pior é a sua qualidade.

Viva a sardinha bivinha!

“Sardinha na Grelha”

Comprar bem fresca, tamanho médio e de escama firme. Adicionar o sal grosso pouco antes de as levar à grelha, que deve estar bem quente. Grelhar por cinco minutos de ambos os lados. Deve ficar suculenta. Grelhar a sardinha demais, torna-a seca e com perda de sabor. Acompanha com pimentos assados, temperados com; azeite, oregãos, alho picado e gotas de vinagre.

Bom apetite!

Um abraço gastronómico.

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