EM LOUVOR DO FIEL AMIGO, DO BACALHAU PODE DIZER-SE TUDO, MENOS QUE É INSOSSO…BACALHAU, AFRODISÍACO?

por Mário Moreira

Em louvor do fiel amigo, do Bacalhau pode dizer-se tudo, menos que é insosso…Bacalhau, Afrodisíaco?

Conhecido em Portugal, a partir de meados do século XIV, começou a ter um importante relevo nos hábitos alimentares dos portugueses, os primeiros a organizar a sua pesca no Atlântico.

Das mil e uma maneiras de confecionar, vai uma grande distância até que seja considerado por muitos apreciadores, um ingrediente afrodisíaco.

O autor de “Culinária Afrodisíaca”, Robert Morel, refere-se “às receitas de cozinha que iniciam disputas e conflitos amorosos”, não hesita em incluir o “bacalhau de todas as maneiras” entre os pratos que têm uma excelente reputação de reforçar os desejos amorosos e favorecer a união”.

Ramalho Ortigão no seu livro as “Farpas”, refere, “Ao mesmo passo que a carne de boi sobe a categoria de jóia, o Bacalhau afirma-se na importância do alimento. Ora uma coisa estamos a recear:  é que o Bacalhau abuse da suprema influência que vai ter sobre o corpo social”.

Passados cerca de 150 anos, Mário Moutinho, (História do Bacalhau… Editoral Estampa, 1985) recordava as palavras de Ortigão, escrevia: “Ninguém poderá pôr em dúvida que este peixe representa algo de bem particular ao nosso país. Um olhar pela impreensa da época, encontrará o tema do Bacalhau continuamente objeto de análises, dúvidas, risos sarcásticos, queixas repetidas sobre o seu corpo”.

Se for necessário apontar uma palavra para caracterizar a cozinha portuguesa, dizemos sem hesitação, Bacalhau.

Entre alguma ironia, os franceses dizem que os portugueses têm 365 receitas de Bacalhau, uma para cada dia do ano. Há muitas mais, o que não deixa de ser uma riqueza cultural e gastronómica, capaz de fazer inveja aos franceses, sempre tão escrupulosos com os seus queijos.

O Bacalhau é apontado mito cultural, argumentos de peso em campanhas eleitorais, tema de fados, quadros de revista, reportagens, tese, documentários cinematográficos… Se por absurdo a União Europeia nos tirasse o Bacalhau (imposições de quotas de pesca) seria motivo para abondonarmos a Europa…

Volto ao Bacalhau com o refrão do “Fadinho do Bacalhau”, letra de Ary dos Santos e música de Paulo de Carvalho.

“Ai que saudades do meu bacalhau, Das batatinhas, das postas na brasa, Com cebolinhas e com colorau, Com feijão-frade à moda da casa, Ai pastelinhos, onde é que eles estão, Meia-desfeita, quando é que eu a faço, E até aquilo que se faz à mão, Sem bacalhau nunca mais faço”.

Punheta de Bacalhau”

Retirar espinhas e peles ao Bacalhau demolhado e desfiado à mão. Assam-se os pimentos, cortam-se em tiras, as cebolas e os ovos às rodelas. Tempera-se com azeite, vinagre, sal, pimenta, polvilha-se com alho e salsa, picadinhos

Bom apetite.

Um abraço gastronómico.

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