ENSOPADO DE BORREGO À ALENTEJANA

por Mário Moreira

Como o nome indica, o ensopado consiste num bom guisado, generosa quantidade de molho e pão. Perdeu alguma popularidade mas não me impede de lhe dar o seu devido relevo, por ser um prato muito suculento, delicioso, nutritivo, saudável e muito fácil de fazer. A carne é magra, muito rica, mais macia que o cabrito, de um sabor suave, inconfundível, irresistível ao palato. O borrego é o mesmo que cordeiro com idades diferentes, tem entre sete e quinze meses. É uma cria do carneiro e da ovelha. No norte do país “formataram-nos” a consumir borrego só em ocasiões festivas.

Até na alimentação nos querem impor e formatar os hábitos. Se procurarmos, nos supermercados, verificámos que a oferta é quase nula, porquê? Numa prática de alimentação saudável, em termos nutritivos os seus níveis são bem mais superiores aos do porco. Numa abordagem recente em duas grandes superficies em Guimarães sobre a ausência de borrego, nas ofertas de carne, deram-me uma rebuscada e esfarrapada desculpa, em resposta, como, “as pessoas não pedem”…!

O “loby” dos suinicultores é, seguramente, bem mais poderoso…

A minha sugestão é fazer uma festança para um grupo de amigos ou familiares (considero que está na altura) e para isso vamos ter de comprar um borrego.

         Ingredientes, preparação e confeção para 12 pessoas

 Em primeiro lugar vou cortar em pequenos pedaços e deixar em água com limão para dessangrar, durante algumas horas. Faço uma potente marinada com um litro de vinho branco, uma cabeça de alhos descascados, cinco folhas de louro, um raminho de alecrim, uma colher de sopa de pimentão doce, quatro chávenas de azeite, uma colher de sopa de vinagre, quatro cebolas grandes, dois tomates grandes maduros, farinha e sal qb, duas unidades de pão alentejano.

Num tacho, em lume brando, coloco uma chávena de azeite, caramelizo as cebolas cortadas às rodelas e os alhos esmagados. À carne da marinada, passo por farinha e deixo-a alourar. Quando tudo estiver a ferver, adiciono o que resta da marinada e confeciona lentamente. Retifico os temperos. A carne tem de ficar bem guisada, tenra e com molho grosso. Cozo ervilhas e salteio-as em toucinho frito anos cubos e alhos esmagados. Num tabuleiro levo ao forno a tostar ligeiramente as fatias de pão. É facultativo, mas vou cozer batatinhas pequenas para acompanhamento. Faço uma salada de alface migada como quem corta caldo verde e faço-lhe uma vinagreta bem temperada qb.

É também ali, no Alentejo, que se inventam as quadras do cante embalado pelo grupo coral… A sua cadência rítmica confunde-se com a vida e em cada gesto é acompanhado de um passado cheio de luta e de memória.

Bom apetite! Um abraço gastronómico.

Foto: DR

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