Este é um tempo dos Carangueijos

por Mário Moreira

No largo do Cubo, em Lourosa, próximo da nacional nº 1, coabitavam várias famílias, com filhos de idades aproximadas, entre os 9 e 11 anos; a Carminda Berbigão, a Maria da “Belita”, o Eduardo “Chosca”, o Carlitos “Dininho, o Manel do “Grilo” e o Marinho da Srª Conceição.

Na primeira semana de julho, 3 de nós estámos (ainda) de parabéns. A celebração contagiante da alegria e liberdade,  tornavam-se conquistas de novos lugares e espaços, efusivamente festejada, repleta de memórias inapagáveis.

Pegamos em baldes furados, martelados com pregos, vamos até ao rio à cata de peixe.  Sabíamos como apanhar carangueijos com facilidade. Entramos no rio, calças arregaçadas até ao pescoço, um regalo ver os carangueijos a morder o isco, não queriam outra coisa,  entravam de cabeça que nem ginjas.

Tal a pescaria que ao chegarmos ao largo, se armava tamanha algarraza de fecidade e triunfo.   O Sr. Botica pai da Carminha, felicitou-nos com uma “viagem” de bicicleta ao fim da tarde. Conheciamos aquela bike de outros desafios. A única que sabia as regras da estrada era a  “crica” da  nossa líder, a Carminda, membro da família dos “cricos”.

Sempre os 6, não faziamos nada por menos, todos por um, um por todos.  Apelidados no largo por “putos inquietos”. Felizes que eramos.

Pusemo-nos à estrada encavalitados na acostumada bicicleta, em desafio até à estrada, vender os carangueijos para comprar cavacas de feira. O medonho arvoredo e silvados de um lado e outro da estrada das alminhas, tapavam o sol, quase nos tocavam na cabeça. Bem ao ritmo, no meio da estrada, ao comer uma curva, aperece-nos de frente um camião da Shell, ia abastecer a “bomba do Edmundo” . Esta ação irreverente, obrigou-nos a fazer contra mão, atirou-nos ao imenso silvado. O Sr. motorista parou, pediu ajuda. Saímos uns crivos, pintados de esmagado de amoras, sem reoveito.  Arranjamos uma corda, conseguimos resgatar a biccleta. A frente estava irreconhecível. Metemos a frente entre as pernas enquanto outros puxavam o guiador em sentido contrario, sem sucesso. Batemos na casa do Sr. “Zaquiel” o gragista, fomos insultados, com promessa de fazer queixa aos pais.

No outro dia era feira. Os Berbigões  guardavam no alpendre os pertences dos tendeiros.   Escondemos aí a bicicleta. Fomos descobertos, castigados a trabalhar para o campo bem cedo. A festa de aniversário realizou-se sem prendas, não havia prendas, mas sempre com enormes lições de vida, a mais importante de todas, o sentimento inqueitante de liberdade, a alegria de viver.

“Carangueijos do Rio”

Lavar em água diversas vezes. Colocar ao lume uma panela, adicionar à água fervente, temperada com sal, alho esmagado e malagueta, os caranguejios durante uns uns 5 minutos.  Servir frios com manteiga e sumo limão.

Bom apetite!

Um abraço gastronómico.

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