FALTA DE MÃO DE OBRA, NA HOTELARIA E RESTAURAÇÃO? MITO OU REALIDADE – PORQUÊ?

por Mário Moreira

A AHRESP e APHORT, vieram a público clamar a falta de 40 mil trabalhadores, de algumas importantes atividades que não podem ser desenvolvidas de forma amadora.

Num registo ostensivo e provocador, o ex-presidente da CIP, essa abécola obtusa, em recente estrevista diz, “as empresas querem contratar e as pessoas não querem trabalhar”.

Esta sanguessuga de mentalidade esclavagista, enquando dirigente da CIP,   defendeu, o empobrecimento de quem trabalha com salários de miséria e impediu anos consecutivos o aumento do salário mínimo.  Ignora o que é sobreviver com o salário mínimo, porventura, tal valor, não lhe chega para a graxa aos sapatos e limpa vidros dos seus carros topo da gama.

Esta casta de gente repugnante, sórdida e egocêntrica de sentimento odiável, que trata quem trabalha de uma forma descartável e desprezível, defende a ecónomia de mercado, mas só quando lhes convém. Esquecem-se que existe também para o trabalho, a procura e oferta. O problema não é tanto a falta de pessoas para trabalhar, mas a dificuldade em encontrar escravos.

O crescimento exponencial da riqueza do turismo, em Portugal, não se sente nos salários e nas condições de trabalho. Vamos aos factos:

  1. As negociações da revisão do CCT do setor, arrastam-se desde 2011.  O patronato recusa negociar e aproveitou-se da troika para não dar aumentos. Há cerca de 90 mil trabalhadores nestas condições;
  2. No período da troika em Portugal, foram milhares de excelentes profissionais, que sairam para o exterior. Somos bons só a trabalhar lá fora?
  3. Se o Turismo está na moda, para quem nele trabalha, deixou de o ser. O “Pestana Pousadas” foi quem mais proveitos teve e não aumenta salários desde 2009. No panorama geral, os salários não são atrativos. Os contratos consideram as 40h mas trabalha-se muito mais sem que se ganhe mais por isso; são milhares os que têm só um dia de folga semanal; não são pagos os dias feriados; não são pagas as horas extras; não são pagas horas noturnas; não são pagos os prémios de línguas; o subsídio de alimentação; os horários (desregulados e desumanizados) são alterados sem discussão prévia, bem como as folgas; não há vida familiar! Não cumprem as regras da formação profissional e atualização de categorias; são esquecidas as diuturnidades; os jovens estagiários trabalham por um prato de comida; há o “vírus” do trabalho não declarado, que prejudica os trabalhadores e a ecónomia nacional. Como é possível que alguém tenha uma vida digna a ganhar 2€ à hora?

Esta situação origina, todos os anos, aos trabalhadores “mais competentes” e atrevidos a procurar outros destinos.

Tais condições colocam em causa a qualidade do emprego e como consequência condiciona a qualidade de serviço no setor.

Como é possível compreender que a gastronomia, elevada a      património cultural e o país seja um roteiro turistico mundial se continue a meter a cabeça na areia, relativamente, a este enorme pacote de problemas?

Perante este miserável cenário, como é possível, cativar pessoas para trabalhar no setor?

O tempo em que esta casta chegava “à provincia” e convencia as “sopeiras” para todo o serviço, já lá vai.

O problema, infelizmente, não é de agora e vai agravar-se.

Senhores empresários, se não querem matar “a galinha dos ovos de ouro” sejam sobretudo, honestos!

Ofereçam mais e a procura, será uma realidade.

Um abraço gastronómico.

 

 

Fotos: DR

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