“MAS QUE GRANDE FODA”… À MODA DE MONÇÃO!

por Mário Moreira

“Mas que grande foda”… à moda de Monção!

Regionalismo de um património local que o povo evoca e transporta ao longo dos séculos

Está provado que a história da alimentação humana é indissociável da cultura dos povos. Desde tempos remotos ambas caminham de mãos dadas e muito bem. A história e a cultura necessitam de “comer” como comer pode ser muitas vezes um ato cultural.
Perde-se no tempo a história desta “foda”. As populações do interior ligadas ao campo e à pastorícia quando chegava a ocasião e pela necessidade de os leiloar, trocar ou vender, dirigiam-se à feira, mais próxima com a clara intenção de fazer negócio.
Como em tudo na vida, também na feira há de tudo, gado bom e mau gado, como os donos! Os donos dos animais levam-nos à feira, com o supremo objetivo do negócio pelo melhor preço. Reza a história que estes “sabichões” poucos dias antes, enchiam as forragens de sal que o gado comia, obrigando-os a beber água, feitos uns camelos…
Os incautos chegavam á feira e ficavam de olhos em bico nos animais pelo seu belo aspeto e compravam-nos de imediato sem regatear o preço. Os animais tinham a barriga cheia de água, estavam pesados, parecendo muito bem tratados. Pelo caminho ou quando chegavam a casa, iam dando conta da marosca e em jeito de revolta, exclamavam “mas que grande foda”!
Este termo foi-se vulgarizando no tempo até anos nossos dias e, hoje, há a feira que se designa por “A feira da foda” e até “ A Confraria da Foda”.
Há ocasões festivas do ano, designadamente na páscoa, onde os assados são o prato principal, é muito vulgar as mulheres minhotas do campo a dizer umas para as outras “Ó Maria, já meteste a tua foda”?
Posso dizer que esta iguaria, não obstante a sua carga brejeira, na companhia de um “ Verde Alvarinho”, se traduz numa excelente “foda”.

“Cordeiro à moda de Monção”

O cordeiro, é limpo de gorduras, bem lavado em água, sal e vinagre. Recebe uma mistura de ingredientes; uma papa de alhos esmagados, cebola picadinha, açafrão, sal e pimenta.“Refresca-se” com branco alvarinho e envolve-se a mistura, muito bem, untando por dentro e fora do “bicho”. Efetua-se este processo diversas vezes. No dia de o levar ao forno em pingadeira ou alguidar, fazem-se pequenos nacos de presunto e toucinho e espetam-se no corpo do cordeiro, e vai a tostar. Estes dois ingredientes transmitem-lhe um sabor bem peculiar. É servido com arroz de açafrão, que se faz em simultâneo,temperado com a gordura que vai caindo da assadura do cordeiro.

Bom apetite.

Um abraço gastronómico.

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