SEXTA-FEIRA 13 – MONTALEGRE

por Mário Moreira

Capital da Bruxaria, das Mesinhas, do Oculto, da carne Barrosã

Dia de azar ou de pouca sorte para quem não esteve presente

Montalegre, capital do barroso, vila assombrada de encantos com histórias do arco da velha, mascarou-se de misticismo, passível de azar para uns e outros que tiram proveitos.

Ninguém sabe ao certo porque nasceu esta especial sexta 13, do avesso. Terá sido porque a Eva, essa tentação da natureza, tenha trincado a maça? Ou terá sido Judas, considerado o 13º apóstolo convidado, para a tal ceia?

Em 1734 em relato publicado, o terror da “Besta de Montalegre” espalhou o pânico pelas montanhas do Barroso e Gerês, com estragos entre a população e animais. Segundo, o relato, o animal, alimentava-se de sangue, das entranhas das suas vitimas e quando o fazia, os seus temerosos bramidos aterrorizavam as populações, impedindo a saida de casa. Movia-se tão rápido e subtileza que aparecia em vários locais sem que ninguém desse conta. Organizaram-se diversas montarias para justa vingança, mas depareceu de cena sem prestar contas…Talvez numa sexta-feira 13!

Esta sexta-feira 13 é o advento do halloween, eventos que mobilizam muitos milhares de pessoas, esgotam restaurantes e hotéis apinhados de cidadãos nacionais e internacionais, em consecutivos sucessos.

O castelo de Montalegre, fortaleza gótica, tem na sua torre de menagem a peça militar principal, acabado de construir no reinado de D. Afonso V, no ano de 1331.

É nas imediações do castelo, cenário medieval, se dá o ajuntamento final. A bruxaria entra num extase contagiante, ambiente febril, épico.  Os bombos e cantares são constantes, os vampiros entram em cena, crepita uma gigantesca fogueira, ouvem-se lendas e mitos, bebem-se as queimadas que tresandam de boca em boca (bebida – muito rasca –  de aguardente, limão, maçã, canela e açúcar) para espantar os maus olhados e invejas, aos milhares, muitos são jovens espanhóis, que deliram com o esconjuro. Um dos maiores eventos de rua do país, concluido de forma brilhante com espetáculos de pirotecnia e os inconfundíveis Lucky Duckies, muito bom.

Durante séculos, o Fumeiro, foi sustento e resistência contra o frio e isolamento. Está a tronar-se uma das maiores riquezas de Montalegre; o “Cozido à Barrosã”; a “Posta de Vitela Barrosã” são os seus principais motivos de interesse gastronómico.

“Posta de Vitela Barrosã”

Cortar posta com 300gr, 4cm de espessura. Colocar sobre chapa ou grelha em brasas. Retirar para uma travessa, salpicar com sal grosso. Aproveitar o molho que larga, adicionar alho picado, azeite, gotas de vinagre, regar as batatas, a carne, servir com grelos salteados.

Bom apetite.

Um abraço gastronómico.

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