CHANFANA À MODA DE COIMBRA

por Mário Moreira

É um prato tradicional, também conhecido por “Lapantana”especialidade da região centro e tem honras no receituário da Cozinha Tradicional Portuguesa.Terá origem no Mosteiro de Santa Maria, no concelho de Miranda do Corvo, designada como a “Capital da Chanfana”e tem como concelhos “concorrentes”a disputarem a iguaria como sua, numa luta dinâmica, os concelhos de Penacova e Vila Nova de Poiares, todos do alto distrito de Coimbra.

Referênciada por escritores desde o século XVII, Miguel Cervantes, Bocage e Miguel Torga, como uma iguaria de subaproveitamente de quem tinha menos poder de compra, enquanto que as familias abastadas comiam as partes mais nobres. Ontem, como hoje, nada de novo…

A Chanfana foi considerada uma das receitas às “7 Maravilhas de Gastronomia Portuguesa”, destacando-se no pódio num previligiado 3º lugar.

Com as invasões francesas, a ocupação do teritório em 3 longos anos, com receio que levassem os rebanhos, os animais eram mortos como forma de defesa, pelas monjas do Mosteiro, que utilizavam o vinho tinto, como forma de tempero e conservação.

A sua preparação começa dois ou três dias antes do seu consumo, com a retirada das gorduras e peles, cortar em pedaços e fazer uma abundante marinada, devendo permanecer nas caçoilas de barro preto, devidamente tapadas.

É um prato demorado, mas não é motivo para se não fazer em casa, em dia festivo, para toda a família. Na região é um prato que tradicionalmente se serve em casamentos e batizados, a par de outros pratos bem suculentos e saborosos em dias de inverno mais intenso.

 

No fundo da caçoila colocar duas cebolas em camadas e cinco dentes de alhos esmagados. Colocar 1kg da carne, 100gr de presunto fatiado, um raminho de salsa, duas folhas de louro, duas hastes de tomilho, duas hastes de alecrim, duas colheres de sopa de banha, uma cálice de aguardente de boa qualidade (vai permitir a que fique mais tenra), uma colher de sopa de pimentão, cinco colheres de azeite, sal, piri-piri qb. Finalmente, adicionar 1 litro de vinho tinto de boa qualidade até cobrir a carne por completo. Vedar bem a caçoila e levar ao forno, bem quente,deixar cozinhar entre 3 a 4 horas. Cozer a batata com casca à parte. Há a alternativa de cozer a batata na temperatura do forno, e quando a carne estiver quase no ponto, adicionar 10 batatas médias, golpeadas, por cima da carne, para, deste modo, absorver todos os aromas da confeção. Coza 1 kg de grelos, escorra e numa frigideira com azeite, saltear com um dente de alho bem picado, pimenta e sal a gosto.

 

Bom apetite! Um abraço gastronómico.

Fotos: DR

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